21 de maio de 2020

Como a Anvisa prevê o uso de Point of Care na assistência à saúde?

Favoráveis ao uso ​​próximo do paciente, os testes no ponto de atendimento (Point of Care – POC) – também conhecidos como testes laboratoriais remotos (TLR) […]

Como a Anvisa prevê o uso de Point of Care na assistência à saúde?

Favoráveis ao uso ​​próximo do paciente, os testes no ponto de atendimento (Point of Care – POC) – também conhecidos como testes laboratoriais remotos (TLR) – , não requerem um espaço permanente e podem ser utilizados para exames in vitro, fora das instalações físicas dos laboratórios clínicos. Mas você sabe como a Anvisa prevê o uso de Point of Care na assistência à saúde?

Legislação Anvisa Point of Care 

No Brasil, a especificidade dessa tecnologia, capaz de transformar a assistência à saúde, ainda não é abrangida por marcos legais. Dessa maneira, as únicas legislações vigentes são a Resolução RDC n. 302/2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a Resolução RDC n. 7/2010, que dispõe sobre os requisitos de funcionamento das Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Tal como estipula a Anvisa, o uso do Point of Care deve seguir as mesmas diretrizes dos laboratórios centrais. Dentre elas, o controle de qualidade e biossegurança, treinamento adequado, registro de procedimentos, gestão de resíduos e a presença de um responsável técnico.

Conforme a resolução, o manejo dos testes no ponto de atendimento, deve ser vinculado a um laboratório clínico, posto de coleta ou serviço de saúde pública ambulatorial ou hospitalar. Nesse sentido, o planejamento, a implantação e a qualidade do POC devem ser atribuídos ao técnico responsável pelo laboratório clínico e a direção da instituição de saúde.

Em outro plano, no que diz respeito aos fabricantes de testes Point of Care, os aspectos relativos à qualidade e segurança dos produtos de diagnóstico são os mesmos  aplicados aos demais dispositivos médicos do mercado. Sendo assim, o fornecedor deve informar as características de desempenho e instruções de uso.

Testes com foco laboratorial

O uso de testes no ponto de atendimento permite a rapidez no raciocínio clínico e na decisão médica, sendo assim um indicador importante do estado da saúde do paciente. Isso porque, grande parte das condutas clínicas é tomada a partir das alterações nos dados laboratoriais.

Tendo em vista as diretrizes de qualidade internacionais e a RDC 302, é necessário que os laboratórios possuam meios externos para checar sua acurácia. Deste modo, a comparação dos resultados do POC com os resultados do laboratório reduz a chance de erros clínicos.

Além disso, consoante à Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC), a execução de um exame laboratorial é uma atividade complexa, que exige a divisão do processo em três fases: pré-analítica, analítica e pós-analítica.

A SBPC ressalta que o conceito também se aplica ao uso de testes Point of Care, uma vez que a confiabilidade do resultado laboratorial obtido com esse modelo de análise é assegurada por meio das boas práticas implantadas nas três fases.

De acordo com a instituição, os aspectos pré-analíticos, em se tratando de testes remotos, consistem no pedido médico, identificação e preparo do paciente, coleta e manipulação da amostra, preparo dos materiais e equipamentos. Já os aspectos analíticos estão voltados ao controle de qualidade e calibrações, desempenho analítico e arquivo de resultados. Os aspectos pós-analíticos, por sua vez, são formados pelos  laudos, testes confirmatórios (quando necessários), interpretação do laudo, assessoria médica, acompanhamento do paciente, resíduos biológicos e faturamento.

É válido pontuar que, para ter utilidade clínica, um método laboratorial POC deve preencher os requisitos básicos de confiabilidade dos resultados obtidos em amostras de pacientes.

 Garantia de qualidade

Nesse contexto, a SBPC, alinhada à visão de entidades internacionais como a Sociedade Americana de Patologia Clínica (ASCP), ressalta que os testes do Point of Care oferecem um desempenho que atende às mais altas expectativas, tendo como parâmetro a metodologia convencional de testes.

Todavia, como em qualquer outro exame ou método laboratorial, para que um bom desempenho seja alcançado, são necessários procedimentos de controle da qualidade. Assim, a garantia da qualidade em um sistema POC é complexa e envolve diversos itens a serem controlados como pacientes, operadores, equipamentos e insumos.

Nesse sentido, as normas revelam que, o resultado obtido no teste deve ser considerado provisório, podendo ser analisado e interpretado diretamente pelo médico. Esse resultado deve ser devidamente registrado em prontuário médico. Já a análise de consistência dos resultados deve ser feita no momento da execução ou posteriormente, por um profissional habilitado.

É válido pontuar que nem todos os mecanismos de controle utilizados no laboratório tradicional são adequados para o POC. Por isso, pode-se considerar aspectos como as condições ambientais de temperatura e umidade, a sistematização para a execução técnica e a sensibilidade.

Preparo técnico

Os testes do Point of Care são simples e de fácil operação, principalmente em relação aos testes de laboratório central, podendo ser utilizados por operadores que não são especialistas na área laboratorial.

Ainda assim, os operadores precisam conhecer e seguir as instruções de execução dentro das especificações parametrizadas, que devem estar disponíveis nas bulas dos sistemas de diagnóstico. Conforme menciona a ASCP, apenas os operadores que fizeram treinamento por uma organização reconhecida podem realizar testes de Point of Care.

Dessa maneira, a organização de saúde deve disponibilizar os recursos humanos necessários para garantir o treinamento e a avaliação dos profissionais responsáveis pelo uso de POC em todos os departamentos. Com isso, o programa de treinamento deve incluir, minimamente, os indicadores de segurança dos testes, a interpretação precisa dos resultados, o sistema de controle de qualidade e a confidencialidade das informações do paciente.

Confira todas as soluções Point of Care (POC) da Celer aqui.

29 de outubro de 2021

Diagnóstico precoce do HPV auxilia no tratamento do câncer de colo de útero

Relatado desde a Grécia Antiga, o papilomavírus humano, mais conhecido como HPV, é um vírus que causa uma das infecções sexualmente transmissíveis (IST) mais comuns […]

23 de dezembro de 2020

Testes para diagnóstico rápido de doenças inflamatórias ou infecciosas

A erradicação de doenças infecciosas ou inflamatórias é um debate presente em toda a comunidade médica mundial. Apesar dos avanços científicos para tratamento dessas doenças, […]