Principais marcadores para COVID-19: D-dímero, Troponina e Procalcitonina

Principais marcadores para COVID-19: D-dímero, Troponina e Procalcitonina

Principais marcadores para COVID-19: D-dímero, Troponina e Procalcitonina

Após um ano de pandemia de COVID-19, as comunidades médica e científica vêm acumulando conhecimento e experiência sobre como manejar a doença. Felizmente, toda essa evolução nas práticas de cuidado acaba por beneficiar os pacientes. Nesse contexto em que se ampliam as possibilidades de assistência, a Celer Biotecnologia coloca à disposição do mercado de medicina diagnóstica os principais marcadores para COVID-19, capazes de identificar por meio de testes rápidos quadros específicos do coronavírus.

 Dímero-D para a identificação de tromboses

Durante a formação de um trombo, os polímeros da fibrina (proteína secretada no processo de coagulação do sangue) são degradados dando origem a fragmentos. O menor destes fragmentos é chamado Dímero-D e, apesar de sua presença ser normal, um aumento em sua taxa pode indicar casos de trombose ou de coágulos no sangue¹. Essa taxa pode ser identificada por meio de testes rápidos Point of Care (POC).

De acordo com o médico, pesquisador e colaborador da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Breno Bernardes, o Dímero-D é um teste relacionado a níveis de coagulação sanguínea feito em amostras de plasma ou sangue total. Assim, quanto maior esse índice está, maiores são as chances de ocorrência de processos de coagulação, como Trombose Venosa Profunda (TVP) e Tromboembolismo Pulmonar (TEP).

O médico explica que em quadros mais graves de COVID-19 podem ocorrer um comprometimento trombótico entre o 10º e 15º dias após o início dos sintomas. Há também casos em que indivíduos jovens, homens ou mulheres já curados apresentam quadros trombóticos, seja pulmonar, nas pernas ou até no cérebro.

“O Dímero-D não é capaz de identificar onde exatamente a trombose está, mas demonstra a ocorrência de processos de coagulação. Sua utilização é muito importante, sobretudo nos grupos de risco. Por meio dele, o médico pode prescrever anticoagulantes de forma mais embasada. No entanto, vale lembrar que ainda não há protocolo que oriente a forma de administração dessas medicações em casos de COVID-19”, pontua Dr. Breno Bernardes.

O Dímero-D é resultante de um processo de degradação da fibrina, que é uma proteína que compõe os coágulos sanguíneos. Um estudo brasileiro divulgado no periódico Hematology, Transfusion and Cell Therapy², revisitou 27 artigos publicados em 2020 para entender melhor a relação entre o Dímero-D e o coronavírus. Segundo a literatura médica pesquisada, é possível associar o aumento do Dímero-D ao grau de severidade da COVID-19. Em razão disso, é importante que a medição do Dímero-D seja feita logo após a confirmação do diagnóstico positivo no teste de RT-PCR ou nos testes rápidos via Point of Care (POC), sempre sob prescrição médica. A realização do exame tem se mostrado importante para o acompanhamento de pacientes com a doença, já que o Dímero-D pode se alterar logo no início e, por isso, se consolida como um dos principais marcadores para COVID-19.

Troponina como aliado cardíaco: um dos principais marcadores para COVID-19

Trata-se de um biomarcador cardíaco cuja presença em alta quantidade no sangue total, plasma ou soro indica a ocorrência de lesões cardíacas. A troponina é liberada na corrente sanguínea após iniciado um Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). Tal medição pode ser feita pelo Celer Finecare Troponina I Quantitativa por meio da metodologia do teste rápido (testes POC).

De acordo com um estudo³ realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com uma rede de hospitais – e publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia – é comum que na população hospitalizada por COVID-19 haja a ocorrência de injúria miocárdica (IM), e a elevação de troponina cardíaca age como um preditor de mortalidade intra-hospitalar. Há, ainda, possibilidade de lesão direta pelo vírus, causando miocardite. Médicos de um hospital do Rio de Janeiro estão promovendo a medição dessa enzima cardíaca em pacientes com COVID-19 com o objetivo de identificar quais podem evoluir para quadros mais graves.

O estudo acompanhou 183 pacientes que, quando foram internados, apresentaram níveis de Troponina elevados. Desse total, 28 morreram e 31 necessitaram de ventilação mecânica invasiva.  A partir de então, a instituição de saúde adotou o exame essencial para medir o comprometimento cardíaco provocado pela infecção pelo coronavírus.

Outro estudo⁴ realizado no Rio de Janeiro acompanhou 190 pacientes infectados pelo coronavírus internados em UTI e os sobreviventes até seis meses após a alta médica. A pesquisa também identificou uma alta ocorrência de injúria miocárdica em casos graves da doença e concluiu que a dosagem sérica de troponina cardíaca pode ser um promissor indicador prognóstico com utilidade na estratificação de risco dos pacientes hospitalizados.

Procalcitonina (PCT) em busca de inflamações

 Trata-se de um biomarcador de infecção bacteriana liberado por diversas células de vários órgãos em resposta a uma determinada condição pré-inflamatória. Aferir sua quantidade é essencial, já que a alta concentração é diretamente proporcional à severidade da inflamação. Além disso, o teste permite que o médico possa excluir outros possíveis diagnósticos, como investigação de sepse (infecção generalizada) além de monitorar infecções subjacentes ao coronavírus.  A sepse é causada por bactérias e vírus, como em alguns casos mais graves de COVID-19.

De acordo com o estudo publicado⁵ no Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, em aproximadamente 80% dos casos, quando a PCT está elevada, o paciente possui infecção bacteriana. Por isso é válido lembrar que pessoas com sintomas respiratórios podem apresentar pneumonia bacteriana. Nesse sentido, quando o teste apontar positivo para procalcitonina significa que há uma grande probabilidade de exclusão de infecção por COVID-19. Quando negativo e aliado a outros exames, significa possibilidade de diagnóstico do vírus. Assim, o exame é fundamental para que a equipe médica possa definir as melhores condutas de antibioticoterapia em pacientes hospitalizados.

Rol de testes complementares inclui dois dos principais marcadores para COVID-19

 Em maio de 2020, a Agência Nacional de Saúde (ANS) incluiu a PCT na relação de exames auxiliares para diagnóstico e prognóstico da doença. Uma de suas funções é distinguir os casos com menor e maior gravidade. Os exames de Dímero-D e Troponina também integram o rol. A decisão do órgão está documentada na  Resolução Normativa RN Nº 457 ⁶.

Estes testes fazem parte do portfólio da Celer Biotecnologia. Entre em contato com a nossa equipe para saber mais sobre a linha Finecare de analisadores e testes rápidos para diagnóstico complementar.

 

Referências

(⁵) ANDRIOLOL, A.; PASIANOTTO, R.; NOVO, N. F. Pró-calcitonina e proteína C reativa em processos infecciosos graves. J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.40 no.3 Rio de Janeiro June 2004. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1676-24442004000300007&script=sci_arttext>. Acesso em 26 mar. 2021.

(⁶) BRASIL. Resolução Normativa 457 de 28 de maio de 2020. Disponível em: <http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&format=raw&id=MzkwOQ==>Acesso em 23 mar. 2021.

(²) BRUNO, L.C. et al. Dímero-D como importante marcador para estratificar a gravidade da infecção pelo novo coronavírus: revisão sistemática da literatura. Disponível em: <http://www.htct.com.br/en-dimero-d-como-importante-marcador-para-articulo-S2531137920311810>. Acesso em 23 mar. 2021.

(¹) MORESCO. R.N. Associação entre os níveis de D-dímero, produtos de degradação da fibrina/fibrinogênio (PDF) e troponina cardíaca T na investigação dos distúrbios tromboembólicos. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/5216/000512431.pdf?sequence=1 >. Acesso em 7 abr. 2021.

(⁴) NASCIMENTO, J.H.P. COVID-19 e injúria miocárdica: Análise da incidência e impacto prognóstico da elevação de troponina cardíaca na pneumonia viral por SARS-COV-2. Disponível em: <http://www.poscardio.ufrj.br/images/documentos/Disserta%C3%A7%C3%A3o_de_mestrado._COVID-19_e_inj%C3%BAria_mioc%C3%A1rdica.pdf>. Acesso em 7 abr. 2021.

(³) NASCIMENTO, J. H. P.; GOMES, B. F. O.; OLIVEIRA, G. M. M.  Troponina Cardíaca como Preditor de Injúria Miocárdica e Mortalidade por COVID-19. Arq. Bras. Cardiol. vol.115 no.4 São Paulo Oct. 2020  Epub Oct 23, 2020. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2020001200667&lng=en&nrm=iso>  Acesso em 26 mar. 2021.

 

 

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